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As crianças e a televisão: Riscos
Tema: [Educação]
As crianças com menos de 8 anos, têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado.

Os riscos de ver muita televisão são bem conhecidos e estudados.

Violência
A violência na televisão surge como uma ameaça ao seu filho de duas formas diferentes. Em primeiro lugar, embora os pais queiram transmitir aos filhos que a violência e a agressividade não são o melhor caminho para a resolução de problemas, muitas vezes a televisão apresenta-a sob o ponto de vista dos "bons", dos heróis que simplesmente fazem justiça e dão aos "maus" aquilo que eles merecem, transmitindo a ideia errónea de que, dependendo de quem a pratica e das suas intenções, a agressividade é um acto justificado. Por outro lado, ver cenas de violência pode assustar a criança, de formas variadas dependendo da sua idade. Dos 2 aos 7 anos, a criança fica particularmente assustada com cenas que apresentam figuras grotescas como bruxas e monstros, pois nesta fase tem ainda alguma dificuldade em distinguir a fantasia e a realidade. Mais tarde, dos 8 aos 12 anos os medos associam-se a cenários de desastres naturais, guerras ou situações em que as crianças são vítimas, quer estas sejam apresentadas em ficção, nas notícias ou em reality-shows.

Comportamentos de risco
Quem vê televisão sabe que quer em séries de ficção, filmes ou anúncios, comportamentos de risco como o consumo de álcool, drogas ou tabaco são apresentados como sendo cool e normal, não apresentando muitas vezes as reais consequências destes hábitos. Da mesma forma, a actividade sexual é muitas vezes banalizada e descontextualizada, não se dando qualquer importância ao perigo de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e outras doenças problemáticas que daí poderão advir.

Obesidade
Bem conhecida e comprovada é a ligação entre a televisão excessiva e a obesidade infantil, esta última constituindo já um grave e preocupante problema de saúde pública. As razões desta associação são óbvias: por um lado, se uma criança passa grande parte do seu tempo a ver televisão (actividade que não exige grande dispêndio de energia), passa menos tempo a realizar actividades menos sedentárias como jogar à bola, ou às escondidas, que exigem que corra ou se movimente, tornando-o mais susceptível ao aumento de peso. Por outro lado, a criança é bombardeada constantemente com anúncios de alimentos "fáceis", apelativos e altamente energéticos como os snacks, hambúrgueres, chocolates, gomas, batatas fritas e bebidas gaseificadas, que ainda por cima associam muitas vezes a oferta de brindes (dos heróis da TV mais conhecidos), tornando-as absolutamente irresistíveis para qualquer criança. Esta combinação de sedentarismo com alimentos de elevado teor calórico é uma das grandes responsáveis pela epidemia do século XXI como já é apelidada a obesidade!

Alteração dos padrões de sono
O risco de vermos alterados os padrões de sono das nossas crianças pelo facto de verem muita televisão apresenta-se sob duas formas: a primeira, e decerto bem presente no dia-a-dia de muitas famílias reside na dificuldade que muitos pais têm em arrancar os filhos da frente do ecrã na hora de deitar. Cada vez mais programas com conteúdos apelativos para os mais jovens passam a horas tardias, fazendo com que muitas vezes o sono seja preterido em detrimento deste ou daquele programa. Deste modo a criança deita-se mais tarde, mantendo a hora de levantar, ficando privada do sono tão essencial para o seu normal desenvolvimento e rendimento escolar. A outra forma da afectação do sono prende-se com o conteúdo dos programas a que a criança assiste. Nos mais novos, figuras agressivas (monstros, bruxas, etc.) geram medos e angústias que podem perturbar o sono causando insónia ou terrores nocturnos. Nas crianças mais velhas, que assistem frequentemente aos noticiários, pode levar a uma certa ansiedade e medo de acontecimentos muitas vezes aí reportados como crimes violentos, guerras ou catástrofes naturais.

Publicidade
A publicidade é um dos grandes perigos da televisão, não só por influenciar aspectos como a obesidade e os comportamentos de risco, como pela ansiedade que pode causar na criança que quer ter determinado produto altamente publicitado. Isto pode constituir um grave problema para os pais na medida em que o filho simplesmente exige o objecto anunciado, causando muitas vezes rivalidades e disparidades entre os pares (os amiguinhos que têm e os que não têm). As crianças com menos de 8 anos têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado, tornando-o ainda mais apelativo.

Por fim, alguns conselhos para os pais que querem tornar a televisão uma actividade mais segura para os seus filhos:
- Retire a televisão do quarto das crianças e coloque brinquedos, jogos e outras alternativas apetecíveis na divisão onde esta se encontra.
- Desligue-a na hora da refeição, privilegiando assim um momento de convívio em família.
- Seleccione os programas mais adequados de acordo com a idade da criança, e idealmente, veja-o com o seu filho - isso proporcionar-lhe-á uma forma de filtrar conteúdos, bem como ir explicando e educando à medida que o programa decorre.
- Discuta as suas preocupações com outros pais e professores, assim poderá evitar que o seu filho seja o único que não vê este ou aquele programa, sentindo-se de certa forma diferente.
- Veja também poucas horas de televisão: além de dar o exemplo, é mais tempo que poderá passar com o seu filho a praticar desporto, ler ou simplesmente brincar...

Joana Dias com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Hospital São Marcos em Braga
www.educare.pt
2008-10-01 
Os Pais e a Escola
Tema: [Educação]
A escola, ao contrário do que muitos pais pensam, não é "aquele lugar" onde as crianças passam os dias, com a obrigação de aprender alguma coisa e onde os professores têm todas as responsabilidades.

A escola faz parte do quotidiano familiar da criança e os pais devem estar envolvidos em todo o processo de aprendizagem.

Pode-se dizer que a escola é um prolongamento do lar, onde o aluno se socializa com os outros e partilha a sua rotina pessoal. Assim, a colaboração dos pais com os professores ajuda a resolver muitos dos problemas escolares dos filhos.

O conhecimento do que se passa na escola, quais os seus princípios educativos e quem são os professores, capacita os pais a participarem mais activamente na vida escolar do seu filho. É necessária, então, uma interacção contínua entre todas as partes envolvidas.

Para os pais, participar na escola não deve ser só "receber informações". É preciso que façam sugestões e tomem algumas decisões em conjunto com os professores.

Aliás, os professores e pais não se devem ver como inimigos. São ambos um complemento importante na educação das crianças.

Infelizmente, muitas vezes, as causas da abstenção dos pais na vida escolar dos filhos passa pelos seus rígidos horários de trabalho. Acompanhar o percurso escolar da criança, neste aspecto, torna-se bastante difícil, principalmente quando se está cansado e com falta de paciência.

Desta forma, e uma vez que pode não ser possível participar mais activamente, o ideal é que os pais participem, pelo menos, nas reuniões trimestrais com o professor/director de turma. Nelas terão oportunidade de se certificar do trabalho escolar que tem sido desenvolvido e receber esclarecimentos.

Sempre que possível, será útil para o bom desenvolvimento escolar da criança o envolvimento dos pais também nos seguintes aspectos:

Pais e Escola

-comparecer na Escola sempre que pedido ou por iniciativa própria;
-participar activamente e cooperar em actividades extracurriculares;
-incentivar a criança a usar a Biblioteca da escola, se existir.

Pais, Filhos e Escola

-incutir nas crianças/alunos a compreensão nítida da necessidade de respeito pelo trabalho, o horário, os professores e as exigências disciplinares da Escola;
-incentivar a criança a participar nas actividades promovidas pela Escola.

Em Casa

-proporcionar um local adequado em casa para que a criança possa estudar e fazer os trabalhos de casa;
-respeitar algum silêncio quando a criança estiver a fazer os trabalhos de casa, para que seja um momento de concentração que pemita uma melhor apreensão dos conteúdos das aulas.
-estabelecer, em acordo com a criança, um horário para a realização dos trabalhos escolares.

Em Geral

-procurar criar o hábito de ser assídua e pontual às aulas;
-atribuir pequenas responsabilidades, ajudando a criança a organizar-se nas actividades escolares para torná-la mais independente e segura de si;
-mostrar interesse em tudo o que a criança realiza, incentivando-a nas pesquisas e esclarecendo dúvidas, sem, no entanto, fazer os trabalhos por ela;
-favorecer o seu desenvolvimento de acordo com sua capacidade, não fazendo comparações com os colegas, mas estimulando-a a superar-se;
-ser optimista perante a vida em geral, criando um ambiente positivo.

Acima de tudo, lembre-se que a escola é também um local de trabalho. É preciso que as crianças tirem o máximo partido do tempo que passam com os colegas e professores e que o façam de uma forma responsável e sentindo que têm todo o apoio que os pais lhes podem dar.
www.junior.te.pt
2008-04-13 
Brincar Sozinho
Tema: [Educação]
É uma forma saudável de desenvolver a imaginação e a auto-estima, de expressar sentimentos e emoções e de resolver conflitos interiores. Se o seu filho está a brincar sozinho, não o interrompa!

Brincar é um assunto sério para todas as crianças de todas as idades. É a brincar que crescem e aprendem, experimentam e praticam futuras competências. Muito antes de surgirem os amigos, as crianças já brincaram muito, com a mãe, com o pai e também sozinhas.

Nos primeiros meses, o bebé vive numa dependência total da mãe. Ainda não tem uma imagem de si próprio e só existe para si quando a mãe está presente, como se fosse uma espécie de prolongamento dela. Progressivamente o bebé vai interiorizando a imagem da mãe e construindo a sua própria imagem, num processo lento a caminho da autonomia. Ao longo desse processo, feito de avanços e recuos, a criança começa a desenvolver a imaginação e o pensamento simbólico e, quando a mãe não está presente, começa a brincar sozinha, criando situações em que ela está representada.

O faz-de-conta

A partir dos dois anos, as brincadeiras passam principalmente por imitar os adultos, nomeadamente a mãe e o pai, num jogo de faz-de-conta em que a criança assume vários papéis. A brincar sozinha, exprime muitos sentimentos e resolve conflitos. A boneca pode ser a filha a quem é preciso ralhar, mas logo a seguir dar colo e beijinhos.
Os papéis são levados muito a sério, com vozes, entoações e expressões a condizer com cada uma das personagens. Nesta altura, é possível observar como cada criança brinca de maneira diferente, umas com mais tendência para representar na perfeição, adorando máscaras e fantoches, outras revelando-se óptimos produtores, criando cenas com muitos personagens e diferentes disposições de objectos. As brincadeiras de faz-de-conta desenvolvem a capacidade de abstracção da criança. Se no início são muito rudimentares e se reportam apenas a cenas familiares do dia-a-dia, pouco-a-pouco, à medida que a criança vai vivendo mais experiências, as brincadeiras começam a complexificar-se avançando para cenários de filmes, personagens fantásticas e novos conceitos, continuando, no entanto, a cumprir o mesmo papel de expressão de sentimentos e de emoções reais. A criança tão depressa é uma pessoa crescida, como regressa à forma de bebé de colo, manifestando o conflito que sente entre querer crescer e não querer separar-se da mãe.

Os amigos

À medida que vai avançando no processo de socialização, a criança começa a gostar de brincar com outras crianças. Não são verdadeiros amigos, mas apenas companheiros circunstanciais de brincadeiras. Nesta altura, por volta dos dois anos ainda não são cooperantes e nem sempre se entendem facilmente. Disputam todos os objectos e se querem «meter conversa» com uma criança acabada de conhecer, oferecem-lhe amigavelmente um brinquedo.
Aos três anos, as brincadeiras já implicam cooperação e «trabalho de equipa» e as crianças começam a apreciar verdadeiramente a companhia umas das outras. Algumas fazem amigos com toda a facilidade e em todas as situações. Outras, pelo contrário, têm um ou dois amigos (que normalmente são colegas da creche, primos ou filhos de amigos dos pais) e não estabelecem relações com facilidade. No entanto, ter só um amigo não é motivo para preocupações, pois entre ter um amigo e não ter nenhum a diferença é total. Se o seu filho tem um amigo, isso quer dizer que desenvolveu normalmente a competência social de se relacionar com os outros. Se não tiver nenhum amigo, nem conseguir brincar com as outras crianças preferindo sempre estar sozinho, nessa altura convém perceber o que se passa, porque afinal, ninguém é feliz sem amigos.

Sozinho, mas não solitário

Ultrapassada a fase de aprender a fazer amigos e de descobrir o prazer de brincar com eles, há algumas crianças que continuam a gostar muito de estar sozinhas. Não quer dizer que sejam solitárias, mas apenas que não são tão sociáveis e que não precisam tanto dos outros para se divertirem e entreterem.
Querer e gostar de brincar sozinho não só é normal como também é emocionalmente saudável. Continua a ser uma forma de desenvolver a criatividade e a auto-confiança, «arrumando as ideias» e dando à criança espaço para resolver os seus dilemas interiores.
Por outro lado, há crianças que, aos quatro anos, são muito sociáveis, gostando imenso de brincar com outras crianças, mas que se transformam, por volta dos cinco anos, em crianças sozinhas. Nestes casos pode haver uma séria dificuldade em passar para uma fase seguinte. Ou seja, aos cinco anos os amigos passam a ser muito mais do que aqueles que fazem as vontades todas e que não tiram os brinquedos. Passa a haver muito mais trocas e aprende-se a reciprocidade. Para as crianças um pouco autoritárias pode ser difícil aprender esse conceito e então brincar sozinho torna-se quase uma castigo. Os pais podem ajudar fazendo jogos em que seja suposto «dar a vez», respeitar o adversário e saber perder.

Crianças tímidas

A principal razão que leva as crianças a isolarem-se das outras, ficando invariavelmente a brincar sozinhas, é a timidez. Cerca de vinte por cento das crianças são tímidas por natureza. Desde bebés que mostram resistência e desconfiança face a novas pessoas, viram a cara e algumas até desatam a chorar. Mais velhas, na idade de descobrir os amigos e de crescer com eles, continuam a evitar novos contactos e o pior é que sofrem com isso. Pode apetecer-lhes imenso brincar com outra criança que acabaram de conhecer, mas ao mesmo tempo não conseguem aproximar-se e fecham-se cada vez mais numa concha intransponível.
A timidez não é um fenómeno racional, por isso não é grande ajuda explicar à criança que não há razão para ter vergonha e que vá brincar à vontade. O melhor é começar devagarinho uma brincadeira qualquer que aproxime as duas crianças e daí a pouco já serão grandes amigos.
Os pais que comentam com os amigos a timidez dos filhos, enquanto estes se escondem atrás das suas pernas para se tornarem invisíveis, também não estão a ajudar. Dessa forma a criança convence-se cada vez mais de que é diferente e a sua auto-estima vai ficando afectada. Ignore o desejo de invisibilidade e puxe um tema de conversa que interesse à criança para que ela se vá integrando devagarinho.
Convide uma ou duas crianças para brincarem com o seu filho em casa. Estar no seu «território» oferece-lhe uma segurança que ajudará a ultrapassar mais facilmente as barreiras da timidez.
Dê-lhe sempre o tempo que é preciso para fazer novos contactos, nunca forçando situações e comentando o menos possível. Sobretudo, não se preocupe nem inveje os filhos dos outros para quem todas as pessoas são velhos amigos. Com o tempo todas as crianças aprendem a vencer a timidez e, se pensar bem, o seu filho deve ter a quem sair.

Autora: Ana Esteves
texto retirado de:www.paisefilhos.iol.pt
www.paisefilhos.iol.pt
2008-04-07 
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